
Segundo ele, como se trata de uma entidade mantida por uma associação e não pelo município, terá de avaliar os fatos e estudar as maneiras de como poderá atuar, evitando que a população continue tendo prejuízo em decorrência da deficiência do serviço que, supostamente, não está sendo ofertado.

"Como não se trata de uma instituição pública, o Ministério Público terá de analisar quais os procedimentos que devem ser tomados", disse Ricardo, alertando para a responsabilidade do município quanto à questão da saúde, já que é a prefeitura é a maior responsável por isso.
Ricardo José disse que oficialmente só foi procurado por algumas funcionárias da APAMI, reclamando da falta de pagamento dos salários. Segundo o promotor, em casos como esses, o MP não pode entrar com ação patrimonial e disponível de pessoas que não estejam recebendo seus provimentos.
"Orientei ao grupo a procurar um advogado para que as representassem pedindo que se cumpra o que regem as leis trabalhistas", disse.
Mesmo assim, Ricardo enviou uma solicitação ao diretor da casa, Juraci de Albuquerque Nobre, pedindo uma posição sobre o caso. Na resposta, o diretor alegou que os pagamentos estavam atrasados por causa de problemas com o INSS e, por esse motivo, os recursos do programa Hospital de Pequeno Porte (HPP) estavam bloqueados.
Diante da constatação e apresentação dos fatos que demonstram que a instituição está deixando de prestar um serviço de importante valor para a comunidade, Ricardo José se prontificou em verificar pessoalmente as instalações, fotografar o local e buscar amparo jurídico necessário para instaurar um procedimento de investigação no órgão de saúde.
Funcionárias têm 4 meses de salário atrasado
Pelo menos seis funcionárias formais da maternidade Dr. Antônio Martins, em Portalegre, reclamam da falta de pagamento regular dos salários. Segundo o grupo, já ia completar sete meses que não recebiam o dinheiro quando, por motivos de intervenção do promotor, a diretoria da casa pagou três meses de uma só vez.
Além da falta de salários, elas reclamam da falta de estrutura para manter a unidade funcionando. Pelo que foi exposto, os medicamentos básicos são enviados pelo centro de saúde do município, e a alimentação, além de insuficiente, é ineficiente para a nutrição dos pacientes.
Também foi reclamado que há pelo menos três anos a APAMI não dispõe de oxigênio e ar-comprimido e, mesmo possuindo equipamentos de última geração, guardados numa sala, e tendo sido submetida a uma reforma ampla, os profissionais ainda se obrigam a usar aparelhos antigos que não garantem segurança aos pacientes.
"O autoclave, por exemplo, faz uns quatro anos que não recebe manutenção, o que coloca em risco a vida dos pacientes, por não garantir uma esterilização eficiente dos equipamentos", disse uma delas, que pediu para não ser identificada.
A falta de estrutura foi apontada pelas mulheres como o grande responsável pela ineficiência do órgão. Elas alegaram que os médicos se recusam a fazer procedimentos cirúrgicos devido à falta de aparelhamento adequado, com isso, a maior parte dos pacientes são encaminhados para Pau dos Ferros.
"Esse ano só nasceram duas crianças em Portalegre, todos os outros partos foram feitos em Pau dos Ferros", disse o representante da Secretaria de Saúde, Temístocles Maia.
Município mostrou interesse na APAMI

O representante da Secretaria Municipal de Saúde, Temístocles Maia Lucena, disse que a prefeitura já tentou assumir o comando da APAMI, mas como se trata de um órgão que pertence a uma associação, a solicitação foi rejeitada.
Ele disse que se dependesse dos filhos do diretor Juraci de Albuquerque, a unidade já estaria nas mãos da prefeitura, porém ele insiste em se manter à frente. "Ficamos muito preocupados porque as mulheres fazem o pré-natal aqui e depois são obrigadas a dar a luz em Pau dos Ferros", completou.
Para a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Fábia Maria Dantas França, a APAMI de Portalegre é um problema, pois não está exercendo o papel para o qual foi criada.
"Já fizemos reuniões com a direção pedindo explicações sobre a APAMI e até agora nada foi feito. Queremos saber onde está sendo gasto o dinheiro do HPP e do Integra SUS II", reclamou.
fonte: JORNAL DE FATO
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